Guia: tudo o que você precisa saber sobre tipos de vinho

O vinho é consumido desde os tempos mais remotos. Além de delicioso, é um produto antioxidante, capaz de trazer benefícios para a saúde que vão desde a prevenção de doenças até redução dos níveis de colesterol. Acertando na escolha, o vinho pode trazer sofisticação a refeições e eventos e certamente representam uma boa ideia de presentes para clientes e fornecedores. Mas como ser assertivo na escolha dentre tantos tipos de vinho?

Primeiramente, é preciso entender como os vinhos são classificados. É pela cor? Pelo teor alcoólico? Ou será pelo tipo de uva? Será que ser seco ou doce quer dizer alguma coisa? Se você acha que todas essas opções estão corretas, então você acertou. Para entender melhor essas inúmeras classificações, preparamos um guia completo.

Quer surpreender e  escolher vinho como um sommelier? Confira!

As classes dos vinhos

A classe do vinho é definida pelo seu teor alcoólico e estilo da bebida que será consumida. Essa informação pode estar fornecida nos rótulos, mas é também facilmente percebida com a observação de alguns aspectos de sua composição. Ao todo, temos 4 classes de vinhos. São elas:

Vinhos de mesa

Os vinhos de mesa são aqueles que têm graduação alcoólica entre 10 e 13o. Podem variar entre vinhos finos, nobres, especiais, comuns, frisantes ou gaseificados. Vale ressaltar que os vinhos finos são geralmente feitos com as melhores uvas e por isso contam com um aspecto mais límpido, um aroma de maior complexidade e sabores mais delicados e variados.

Vinhos leves

Como o nome já diz, esse é um dos tipos de vinho que possui uma graduação alcoólica um pouco menor, variando de 7 a 9,9o. É um vinho um pouco menos encorpado, com maior delicadeza nos sabores. É produzido exclusivamente com uvas viníferas, ou seja, aquelas utilizadas exclusivamente na produção de vinhos.

Vinhos compostos

Além da uva, os vinhos compostos podem conter outros produtos de origem animal ou vegetal para compor o seu sabor, tais como açúcares, caramelos, álcool etílico etc. A graduação alcoólica desse tipo de vinho pode chegar a 20o. Segundo a legislação brasileira, esses produtos devem conter um mínimo de 70% de vinho.

Vinhos licorosos

Os vinhos licorosos são produzidos através da fermentação de uvas que costumam ser mais ricas em açúcar que o normal. Esse tipo de vinho costuma ter um aspecto de licor (por isso o nome) e podem ser mais encorpados, como é o vinho do Porto. Flores e ervas aromáticas também podem ser adicionados para formar um vermute, um tipo de vinho licoroso cujo uso é muito comum no preparo de coquetéis.

Teor de açúcar dos vinhos

Outra maneira de classificar os vinhos é de acordo com o teor de açúcar já que isso influencia diretamente em sua acidez, amargor e aroma. O açúcar é um dos ingredientes fundamentais na fabricação da bebida, já que a fermentação alcoólica o transforma em álcool. Em alguns vinhos resta mais açúcar residual que em outros.

É exatamente por isso que a quantidade de açúcar também interfere na graduação alcoólica dos vinhos. Para você ter noção, para aumentar em 1% a porcentagem de álcool, é necessário adicionar cerca de 17g de açúcar por litro. Em países quentes, como o Brasil, o amadurecimento da uva é bastante favorecido e por essa razão os vinhos aqui produzidos tendem a ser mais frutados, tanto no aroma quanto no sabor. A grosso modo, temos três classificações de acordo com a quantidade de açúcares.

Vinhos secos

Vinhos secos são aqueles preparados com até 5g de açúcar por litro. É bastante apreciado por manter as características da uva. Por isso, os vinhos secos são geralmente produzidos com uvas nobres. A harmonização desse tipo de vinho, portanto, deve ser pensada de acordo com o tipo da uva.

Vinhos suaves

Esses podem ser preparados com mais de 20g de açúcar por litro de vinho, o que significa que ele terá um sabor mais adocicado. Para pessoas que não estão acostumadas a beber vinhos, esse tipo pode ser uma ótima opção. A harmonização pode ser feita com massas, carne de aves, peixes e até churrasco! É um tipo de vinho mais democrático. Porém é preciso ter cuidado ao harmonizá-lo com pratos muito temperados para não causar uma guerra de sabores dentro da boca.

Vinhos demi-sec

Os vinhos demi-sec são aqueles intermediários, podendo conter entre 5g e 20g de açúcar por litro de bebida. Para começar, esses vinhos são uma ótima opção para quem está explorando novos sabores e migrando dos vinhos suaves para os vinhos secos. Por serem mais adocicados (mas não tanto como os suaves), podem ser uma boa opção para acompanhar sobremesas.

Cores dos vinhos

A coloração dos vinhos está relacionada ao tipo de uva utilizada no processo de fermentação. Mostraremos agora quais são essas cores, como elas são obtidas e quais os principais tipos de uva para cada uma delas, além de darmos algumas dicas de produtos e harmonizações utilizando as classificações que acabamos de apresentar. Vamos lá?

Vinho branco

O vinho branco tem uma coloração meio dourada e o sabor ligeiramente adocicado. Pode ser produzido a partir de uvas brancas ou tintas. A cor branca acontece pela retirada das cascas antes da chegada das uvas ao tanque de fermentação. Os vinhos brancos são comumente servidos gelados e são facilmente harmonizados com peixes e frutos do mar.

Chardonnay

Chardonnay é a uva branca cuja produção é dada pela resistência e facilidade no cultivo. Pode ser chamada de “rainha das uvas brancas”. É utilizada predominantemente para a produção de vinhos secos. É uma uva com grande capacidade aromática e, por essa razão, as características de seus vinhos pode variar bastante de acordo com modo de produção e clima da região de cultivo.

Por exemplo, em regiões frias, os vinhos costumam ser mais frescos e leves. Já as Chardonnay de clima tropical costumam ser mais estruturados e trazerem aquele gostinho de frutas tropicais. Quando não envelhecido, o sabor de um vinho Chardonnay pode se assemelhar a Pinot Grigios e Sauvignon Blancs, que apresentaremos mais a frente.

O sabor ainda varia de acordo com a maturação da uva utilizada. Com uvas menos maduras, os vinhos apresentarão notas de limão e maçã verde, ao passo que uvas mais maduras resultam em vinhos com notas de figo e abacaxi. O envelhecimento em barricas de carvalho também pode ser feito, o que trará ao vinho notas amanteigas e adocicada.

As uvas Chardonnay são produzidas principalmente na região da Borgonha, na França, na Califórnia e em países como Chile e Argentina. No Brasil, essa uva é cultivada principalmente no Vale dos Vinhedos, sub-região da Serra Gaúcha, onde amadurece e é rapidamente colhida antes do período de chuvas.

Sauvignon Blanc

Diferentemente da Chardonnay, as uvas Sauvignon Blanc possuem um sabor mais cítrico e herbáceo. É uma uva que se adapta melhores a climas frios e seu período de colheita é logo no início do verão, o que garante sua característica de leveza e frescor.

De origem francesa, essa uva é cultivada nas regiões de Bordeaux e Vale do Loire. Apesar de sua origem, se desenvolveu em diferentes partes do planeta, como Chile, Nova Zelândia e Califórnia. Os vinhos Sauvignon Blanc neozelandeses estão ganhando cada vez mais destaque, mas esse é também um dos tipos de vinhos chilenos mais aprovados no cenário mundial.

A Sauvignon Blanc produz vinhos secos, refrescantes e elegantes em suas notas. Com aromas expressivos, seus vinhos são feitos para serem tomados rapidamente. Os vinhos dessa casta não passam por processo de envelhecimento, como os Chardonnay e são ideais para consumo entre o primeiro e sexto ano de colheita.

A harmonização desses vinhos pode ser feita idealmente com queijos mais ácidos, peixes com molhos cítricos, risotos e aperitivos. É um vinho perfeito para um happy hour em um dia ensolarado.

Pinot Gris (Pinot Grigio)

Pinot Gris na França, Pinot Grigio na Itália: ambos os nomes designam a mesma uva branca de casca acinzentada. Essa é uma casta que comumente produz vinhos mais simples que, apesar disso, conquistou o paladar de milhões de pessoas ao redor do mundo.

Essa uva é resultado de uma mutação genética da famosa casta Pinot Noir (que será apresentada com os vinhos tintos). Os aromas desse vinho variam de acordo com o clima da região em que a uva é produzida: regiões mais frias resultam em vinhos mais minerais e ácidos e regiões mais quentes resultam em vinhos mais encorpados.

Apesar de serem a mesma uva, o Pinot Gris (francês) costuma ser mais frutado e encorpado, ao passo que o Pinot Grigio (italiano) tem características mais secas e ácidas, possuindo um aroma quase neutro. Pode-se dizer que quem prefere Chardonnays se identificará mais com os Pinot Gris e quem prefere Sauvignon Blanc certamente gostará mais dos Pinot Grigio.

Ambos tipos são vinhos que harmonizam muito bem com peixes, frutos do mar e aves, podendo ir muito bem com massas ao molho carbonara ou putanesca. Mas a versatilidade do Pinot Grigio é tão grande, que ele pode combinar muito bem com cardápios que contenham carne vermelha. Ou seja, na dúvida entre vinhos brancos, esse tipo pode ser uma ótima opção!

Vinho tinto

Dentre todos os tipos de vinho, os tintos são os mais consumidos do mundo. A coloração se dá porque uvas de tons mais escuros são utilizadas na fermentação. O tom de cor pode variar desde vermelhos claros até tons bastante escuros, beirando o preto. A harmonização desses vinhos costuma ser feita com carnes vermelhas, mas isso pode variar de vinhos mais suaves para vinhos mais secos.

Cabernet Sauvignon

A uva Cabernet Sauvignon é uma das mais conhecidas no universo dos vinhos tintos. Ela foi obtida por meio da mistura entre as uvas Cabernet Franc (tinta) e Sauvignon Blanc (branca). Tida como a mais nobre das uvas, ela é originária da região de Bordeaux, na França. É uma uva de fácil adaptação e por isso é produzida em abundância em diversas partes do mundo.

A cor de seu vinho é marcada por um rubi intenso e brilhante, com as bordas variando entre tons violáceos e amadeirados. O aroma varia de acordo com a região de produção. Em climas frios, podemos perceber notas de frutas escuras e vegetais de cassis. Quando a uva é cultivada em clima quente, ainda é possível perceber as notas frutadas, porém as notas vegetais se perdem um pouco.

O sabor de um vinho Cabernet Sauvignon é caracteristicamente ácido com alta concentração de taninos e, por isso, é considerado um vinho bem equilibrado, já que a acidez estimula a produção de saliva enquanto os taninos tendem a secar a língua. A harmonização desses vinhos é feita com carnes vermelhas, risotos, massas e queijos amarelos. É um dos tipos de vinho ideal para ser consumido durante o inverno.

Merlot

A Merlot é mais uma uva originária da França, também descendente da Cabernet Franc. É, portanto, uma “meia irmã” da Cabernet Sauvignon, mas que tem menos taninos e coloração mais clara. Ela é comumente usada para blends de vinhos.

Especialistas divergem bastante quanto ao momento ideal para a sua colheita e, devido a isso, diferentes estilos de vinhos Merlot podem ser encontrados. No estilo tradicional de Bordeaux, as uvas são colhidas mais cedo, produzindo vinhos de corpo médio com uma acidez mais elevada. Já no estilo internacional, a uva é colhida quando está mais madura, produzindo vinhos mais doces e encorpados.

A região de cultivo, como era de se esperar, também influencia nos sabores. Em regiões frias, como França, Chile e Itália, podemos observar Merlots mais estruturados, com mais taninos e aroma de tabaco. Já em regiões mais quentes, como Argentina, Califórnia e Austrália, temos vinhos mais frutados.

Por ser um vinho “intermediário”, a combinação pode ser feita com frango e carnes mais leves, mas pode harmonizar bem com massas e carnes mais escuras. Não é um bom vinho para harmonizar com peixes e comidas apimentadas.

Malbec

Agora é sua vez de adivinhar qual é a origem da uva Malbec. Se você está pensando “França de novo?”, está certo. Porém o primeiro vinho utilizando apenas 100% uvas Malbec só foi produzido na década de 90, com a revolução do vinho na Argentina. O Malbec argentino é um dos vinhos mais prestigiados do mundo.

A produção dessa uva na Argentina foi favorecida por uma combinação de fatores geográficos que envolveu clima, solo, umidade, luminosidade. Tudo isso permite a produção de um vinho de coloração escura e aroma frutado, que lembram frutas vermelhas e ameixa madura. A textura desse vinho é agradável a boca.

Os sabores variam de acordo com a maturação da fruta, o barril de carvalho em que armazenado e o tipo de levedura escolhida. Mas, no geral, o vinho Malbec não é agressivo. Ele vai muito bem com carnes bovina e de cordeiro, combinando com pratos de molho vermelho, risotos com funghi, queijos fortes e hambúrgueres.

Vinho rosé

Nem brancos, nem tintos. Os vinhos rosés combinam o melhor dos dois mundos. Ele é produzido a partir de, principalmente, três processos. No primeiro deles, a maceração, a cor é obtida pelo contato do mosto com as partes sólidas das uvas, semelhante à produção do vinho tinto, mas com duração menos prolongada.

O segundo, chamado de corte, envolve a mistura de vinhos brancos e tintos. E, por fim, temos um processo chamado sangria, onde uma parte do suco é retirada durante o processo de maceração e o restante continua sendo macerado para a produção de vinho tinto.

As uvas utilizadas na produção de rosés, por sua vez, costumam ser as mesmas utilizadas para a produção de vinhos tintos, que acabamos de apresentar. Os vinhos rosés trazem o frescor dos brancos com a estrutura dos tintos. A harmonização é feita de maneira mais semelhante à dos vinhos brancos, sendo ótima opção para combinar com saladas, massas, peixes e frutos do mar.

Os vinhos rosés são vendidos logo após o seu engarrafamento. São vinhos bastante delicados e para conservarem suas características, não devem ser consumidos após três anos de sua safra. Quanto mais velho um vinho rosé, maior será a perda da acidez e frescor e maior será a acentuação do sabor alcoólico. Isso deve ser levado em consideração no momento da compra.

Outros tipos de vinho

Espumantes

Não podíamos deixar de falar desses tipos de vinho. Os espumantes são vinhos associados a momentos de comemoração (e por isso ótima opção para uma cesta de natal) e são muito prestigiados no mundo inteiro. Combina com tudo: calor, frio, brunch, jantares chiques…

Os espumantes são produzidos utilizando vinhos bases que já apresentamos, podendo ser brancos ou rosés. Após a produção do vinho, ele passa por uma nova fermentação, com a inserção de gás carbônico. Existem três tipos principais de espumantes.

Champagne

Você certamente sabe o que é um Champagne, não é? Apesar de ser utilizado para denominar a maior parte dos espumantes, o Champagne é aquele espumante produzido na região homônima, na França, utilizando as ucas Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier.

Prosecco

Esse é o espumante do norte da Itália e deve conter, pelo menos 85% da uva Glera, antigamente conhecida como Prosecco.

Cava

Cava é o espumante espanhol, não estando restrito a uma única região. Algumas uvas utilizadas são Chardonnay, Pinot Noir, Macabeo e Monastrell.

Além desses três mais famosos, existem diversos espumantes sendo produzidos ao redor do mundo inteiro. É possível encontrar excelentes espumantes que não se encaixam em nenhuma classificação específica.

Vinhos fortificados

Os vinhos fortificados são uma subcategoria dos vinhos licorosos. Sua principal característica é a adição de aguardente vínica ou outro produto destilado. Isso era feito originalmente para melhorar a conservação dos vinhos. A principal razão para a produção desse tipo de vinho ter perdurado está nos sabores distintos que eles oferecem.

O que acontece é que o álcool do destilado interrompe o processo de fermentação. Ou seja, uma parte do açúcar não é convertida em álcool e o resultado é uma bebida com alto teor alcóolico, mas com sabor doce e forte.

Um dos vinhos fortificados mais famosos é o vinho do Porto, produzido em Portugal. O Xerez, um dos poucos vinhos licorosos produzido com uvas brancas, também é famoso na região da Espanha. Na Itália, temos o vinho Marsala como principal representante em dois estilos diferentes. E por fim, a Austrália vem emergindo nesse ramo, trazendo o Muscat, vinho branco fortificado com um dos sabores mais intensos existentes.

Os vinhos fortificados são uma ótima opção para pessoas que gostam de se aventurar em novos sabores. Por terem sabores muito fortes, a harmonização com comidas fica um pouco mais complicada. Seu consumo pode ser feito da mesma maneira que outros licores, como aperitivos e digestivos.

Ufa! É bastante coisa, não é? Agora, você é quase um enólogo! Brincadeiras à parte, o que apresentamos aqui é só o começo de tudo. Existem inúmeros tipos de uva e uma diversificação tão grande de vinhos que, se você tomar uma taça de um vinho diferente a cada dia, por toda a sua vida, ainda não será capaz de experimentar tudo o que existe.

O mais bacana do vinho é a sua versatilidade, podendo agradar diversos paladares e situações. E mais: cabe nos mais variados orçamentos. Ao contrário do que muitos possam acreditar, existem muitos vinhos bons e baratos. E é por essa razão que um bom vinho pode estar entre os produtos para cesta de natal das empresas.

Sabendo de tudo isso, acho que você já está preparado para se aventurar. Comece a testar harmonizações, prove vinhos diferentes, saia da sua zona de conforto. Além de uma experiência divertida e saudável, essa será uma atividade educativa. Afinal, como escolher algo que você não conhece? Aproveite um momento do dia para provar os tipos de vinho e relaxar.

E aí, o que você achou do nosso guia? Você já está acostumado a beber vinhos? Já presenteou alguém com esse produto? Se você quer receber mais guias como esse, com ideias de presente corporativo, além de ideias de motivação, leis trabalhistas e muito mais, então assine a nossa newsletter colocando seu e-mail na caixinha ao lado. Relaxe, nós também não gostamos de spam!

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